Gordura no fígado: quais os perigos e como prevenir‍

A maioria das pessoas se preocupa em como perder gordura corporal quando percebe um maior volume na região abdominal, nos quadris, braços e pernas. Na ânsia de conquistar medidas harmônicas, iniciam dietas, começam a praticar exercícios e até modificam alguns hábitos prejudiciais à saúde, como o con

Modelo de um fígado
Descubra como se forma o acúmulo de gordura no fígado, que tipo de complicações podem surgir e como os hábitos saudáveis mantêm o problema longe.‍

A maioria das pessoas se preocupa em como perder gordura corporal quando percebe um maior volume na região abdominal, nos quadris, braços e pernas. Na ânsia de conquistar medidas harmônicas, iniciam dietas, começam a praticar exercícios e até modificam alguns hábitos prejudiciais à saúde, como o consumo de doces e frituras. Mas e quando o acúmulo de gordura acontece em um órgão que não é visível? O fígado é responsável por diversas funções bastante importantes no corpo humano: filtrar o sangue, eliminar toxinas, regular o metabolismo de proteínas, carboidratos e lipídios, produzir bile, participar da síntese de proteínas, da regulação de alguns hormônios… O segundo maior órgão do corpo humano - atrás apenas da pele nesse ranking - é, na verdade, uma glândula. Mantê-la funcionando de forma adequada é algo que pode ser um divisor de águas entre uma vida saudável e uma série de problemas de saúde. É por isso que o acúmulo de gordura no fígado tem sido tão discutido recentemente. Nesse artigo, você vai ler:

  • Gordura no fígado: problema de saúde já pode ser considerado endêmico
  • O que causa gordura no fígado?
  • Complicações que a gordura no fígado pode causar
  • Recomendação de (para evitar o acúmulo de) gordura no fígado: que alimentos comer? O que se deve evitar?
  • A relação entre o consumo de álcool e a saúde do fígado
  • Como um estilo de vida saudável pode ajudar a manter longe a esteatohepatite não alcoólica (NASH)

Gordura no fígado: problema de saúde já pode ser considerado endêmico

Muitas vezes, a gordura no fígado é uma condição de saúde silenciosa. O acúmulo acontece após anos e anos de maus hábitos, como a alimentação mais calórica do que o organismo necessita para funcionar, o consumo exagerado de álcool e a ausência de atividades físicas na rotina. É importante ressaltar que até indivíduos considerados magros podem desenvolver gordura no fígado, apesar de essa condição ser muito mais frequente em pessoas com obesidade, diabetes, pressão alta, níveis de colesterol e triglicerídeos altos e hepatites B ou C, entre outros tipos de infecção no fígado.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro do Fígado em 2021, cerca de 30% da população brasileira sofre com gordura no fígado. O diagnóstico ocorre quando a composição do fígado apresenta mais de 5% de gordura. Dessa forma, o órgão enfrenta dificuldades para executar a lista de importantes tarefas, do qual é o único responsável. A resposta do organismo vem em forma de inflamação, a esteato-hepatite que, por sua vez, causa outras complicações de saúde bem mais sérias quando não é controlada.

O que causa gordura no fígado?

Os mesmos motivos que explicam as causas da obesidade também podem ser apontados como os desencadeadores do acúmulo de gordura no fígado: a alimentação desbalanceada, acompanhada de um estilo de vida sedentário, é o principal fator que coloca um indivíduo em risco de trazer danos à sua saúde original com o passar do tempo. Em outras palavras, tanto o acúmulo de gordura no fígado quanto os problemas de saúde que podem favorecê-lo não vão ser uma preocupação para quem mantém uma dieta saudável e o corpo sempre  em movimento.

Quando proveniente da obesidade, diabetes tipo 2 ou da resistência à insulina, a esteatose hepática surge a partir do desequilíbrio na produção de triglicerídeos: o corpo terá à sua disposição mais triglicerídeos do que precisa utilizar. Qual é o órgão responsável pela produção dos triglicerídeos? Ele mesmo, o fígado. Parte desse excesso vai para o tecido adiposo - esse que vemos logo abaixo da pele. Parte dele fica no fígado. Lesões no fígado, causadas por hepatites ou pelo consumo de medicamentos como os corticóides, também são um fator de risco para que o fígado acumule gordura, já que impedem o perfeito trabalho desse órgão.

A Doença de Wilson é uma condição rara de saúde, que geralmente surge ainda na infância e dificulta o metabolismo do cobre, que se acumula no fígado, provoca lesões e faz com que também haja aglomeração de gordura no fígado, consequentemente. A desnutrição também pode ser apontada como algo que causa gordura no fígado, pois deixa o indivíduo carente de lipoproteínas, moléculas que transportam triglicerídeos e colesterol pelo sangue.

Complicações que a gordura no fígado pode causar e seus sintomas

Existem pessoas que vivem por muitos anos com um alto teor de gordura no fígado, sem nem ao menos desconfiar dessa condição. Acontece que os sintomas de esteatose hepática podem ser facilmente confundidos com um mal estar passageiro ou sinais de outras doenças. Às vezes, o indivíduo até se acostuma a sentir cansaço, desânimo, sono e preguiça em excesso, culpando um estilo de vida agitado por esses sintomas. E, na verdade, os fatores que levam ao desenvolvimento do acúmulo da gordura no fígado por si só já são causadores desses sintomas desagradáveis. Ou seja: não espere ter disposição para as tarefas do dia a dia se suas refeições são compostas, basicamente, por alimentos gordurosos ou doces. São sintomas de gordura no fígado que podem aparecer em diferentes fases da inflamação:

  • Dores de cabeça frequentes
  • Urina com coloração mais escura
  • Enjoos e tonturas
  • Dores abdominais no centro ou no lado direito da barriga
  • Sensação de fraqueza e fadiga
  • Perda do apetite
  • Tremores musculares
  • Perda de tônus muscular
  • Vasos sanguíneos muito visíveis no rosto
  • Descoloração da pele abaixo do pescoço e axilas
  • Palmas das mãos avermelhadas
  • Pele e olhos amarelados
  • Problemas de concentração

Já entre as complicações que a gordura no fígado pode causar, estão:

Hepatite gordurosa: ao atingir níveis altos de acúmulo de gordura, se inicia um processo inflamatório conhecido como hepatite gordurosa ou esteato-hepatite.

Cirrose hepática: a evolução da esteato-hepatite é uma doença crônica que provoca a formação de nódulos no fígado. Os danos nos tecidos são irreversíveis.

Câncer: em sua forma primária, o câncer no fígado é resultado de um quadro de cirrose que não recebeu o devido tratamento, que inclui mudanças de hábitos alimentares ao longo do tempo.

Recomendação de (para evitar o acúmulo de) gordura no fígado: que alimentos comer? O que se deve evitar?

É evidente que a alimentação saudável (trocaria por balanceada, equilibrada ou adequada; às vezes a palavra saudável pode passar um sentimento vazio na minha opinião) tem papel fundamental para o funcionamento adequado do organismo, incluindo o fígado. Seja para evitar o acúmulo de gordura ou para eliminá-la, é fundamental ter um plano alimentar que contemple a quantidade necessária de todos os nutrientes que o corpo precisa, cuidando para que não haja excesso de calorias e de nutrientes, que serão transformadas em gordura posteriormente.

O plano alimentar para emagrecer inclui tudo aquilo que pode ser considerado comida de verdade, preparado da forma mais saudável possível ou consumido in natura. Em uma alimentação balanceada, a prioridade é consumir carboidratos que contenham fibras, como as batatas, a cenoura, a beterraba e a abóbora. É recomendado evitar o consumo dos carboidratos refinados - farinhas brancas e açúcares. No caso das frutas, por exemplo, é possível e indicado consumir a maior variedade possível, divididas porções (de 3 a 5 por dia). Abacate, abacaxi, limão, melão, banana, maçã, mamão, melancia e morango são frutas pouco calóricas e ricas em vitaminas e minerais.

Em refeições como almoço e jantar, o protagonismo do prato deve ser dividido entre grãos e cereais (de preferência integrais), vegetais frescos (legumes e folhas) e proteínas com pouco teor de gordura. Arroz, feijão, frango ou tofu grelhado, cenoura e chuchu cozidos e uma salada crua de folhas verdes escuras temperadas com azeite extra virgem é um prato simples e bem brasileiro que alimenta, é fácil de ser preparado, bem equilibrado em nutrientes e muito gostoso também.

Ao consumir lácteos, é indicado escolher as versões com menor teor de gordura, como o leite desnatado, por exemplo. Queijo branco ou queijo cottage podem ser boas opções no café da manhã ou nos lanches. É claro que você pode aprender novas receitas fit (tiraria o fit) para deixar o cardápio mais variado, mas estabelecer uma rotina de alimentação que seja de fácil preparo para você é o mais importante. Uma alimentação saudável não precisa ser complicada. Comece com o ''básico que funciona''.

O que não comer para evitar ou tratar gordura no fígado

Um alimento não precisa ser frito para ser gorduroso. O queijo prato e a mussarela, por exemplo, não têm a cor amarela por acaso: são dois tipos de queijo bem gordurosos. O requeijão também tem um teor de gordura bem alto, que confere cremosidade. Dentre os cortes de carne bovina, a picanha faz sucesso no churrasco, mas tem uma camada de gordura que muitas pessoas acham saborosa.

Cereais refinados, como arroz branco, macarrão e pão são carboidratos simples, que se transformam em glicose (açúcar) no organismo. O excesso de açúcar, por sua vez, se transforma em gordura. E por falar em açúcar, quem tem gordura no fígado precisa evitar alimentos que contenham gorduras saturadas e carboidratos refinados como: sorvetes, chocolates, biscoitos, geléias...

Sabe aquela lasanha congelada que vira jantar nos dias mais corridos? Que tal substituí-la por um macarrão integral com legumes? O tempo de cozimento de alguns alimentos pode ser o mesmo tempo que se gasta aquecendo um produto que só tem sódio e gordura a oferecer. O mesmo vale para molhos prontos, nuggets, macarrão instantâneo, batata frita congelada e outros itens que ficam nas gôndolas refrigeradas do supermercado.

A relação entre o consumo de álcool e a saúde do fígado

Doenças no fígado também podem ser causadas pelo consumo de bebidas alcoólicas em exagero. Na música “Eu bebo sim” de Elizeth Cardoso, há um conselho no final: “Cuidado com a cirrose!”. Não é por acaso. Um estudo publicado no The Journal of Nutrition comprovou que cada porção de álcool ocasiona a presença de mais gordura no fígado. Ao substituir as bebidas alcóolicas por leite, observou-se a melhora do quadro. Outro dado interessante da pesquisa é que, ao trocar uma cerveja por um refrigerante, por exemplo, não foram notadas mudanças significativas no índice de gordura presente no fígado.

O grande problema do consumo de álcool é que, com o tempo, são necessárias doses cada vez mais altas para satisfazer quem bebe, e o risco de dependência química é real. A maior parte do álcool ingerido é metabolizado pelo fígado, que vai se desgastando cada vez mais nessa missão. Aliás, o órgão é capaz de metabolizar 10 gramas de álcool por hora - o que equivale a uma lata de 350ml de cerveja ou meia taça de vinho. Você conhece alguém que fica satisfeito apenas com essa quantidade de álcool quando começa a beber?

Ao longo do tempo, a sobrecarga de álcool provoca lesões nas células hepáticas, ou até mesmo a destruição delas. Especialistas estimam que se um indivíduo beber diariamente uma garrafa de 600ml de cerveja, em 10 anos ele terá desenvolvido cirrose. Quando há predisposição genética, esse tempo pode ser encurtado.

Como um estilo de vida saudável pode ajudar a manter longe a esteatohepatite não alcoólica

Seguir uma dieta (plano alimentar para emagrecer) para perder peso pode ser desafiador. Quando um indivíduo se compromete a adotar um estilo de vida saudável, ele topa o desafio de eliminar ou restringir alimentos que podem ser prejudiciais para a saúde do fígado nas refeições diárias. Dessa forma, é possível regenerar a saúde do fígado, dependendo do nível de dano que foi causado.Por isso, quanto antes os bons hábitos substituírem os maus, melhor.

A esteatohepatite não alcoólica é mais uma denominação para o fígado gorduroso, que deixa claro que o álcool não é o único vilão da saúde do fígado. São as escolhas diárias que vão te manter saudável. E se você tivesse, então, acesso a um aplicativo para emagrecer que fosse além de uma dieta baixa em carboidratos e te ajudasse a compreender diferentes maneiras de transformar sua rotina, sua vida e sua saúde? Com o Liti é assim: você monitora tudo o que acontece com o seu corpo e tem o apoio de um time de profissionais que te ajuda a tomar as melhores decisões. Fígado saudável, menos gordura, mais disposição e saúde: comece agora mesmo a sua jornada Liti!