O que a OMS recomenda sobre o tratamento da obesidade

O que a OMS recomenda sobre medicamentos GLP-1 no tratamento da obesidade.
O que a OMS recomenda sobre medicamentos GLP-1 no tratamento da obesidade.

Introdução

A obesidade é um dos desafios de saúde pública mais prementes do século XXI, afetando mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Reconhecendo a gravidade dessa questão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, pela primeira vez, diretrizes globais específicas sobre o uso de medicamentos agonistas GLP-1 para o tratamento da obesidade. Neste artigo, vamos explorar o teor dessas diretrizes, sua relevância no contexto atual, os benefícios potenciais e as limitações associadas.

O Contexto Atual da Obesidade

A OMS classifica a obesidade como uma doença crônica e recorrente, muitas vezes associada a diversas comorbidades como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer. Estima-se que, em 2024, cerca de 3,7 milhões de mortes globais foram atribuídas à obesidade, destacando a urgência de intervenções eficazes. Com projeções indicando um possível aumento no número de pessoas obesas até 2030, a necessidade de diretrizes claras e tratamentos eficazes é mais crítica do que nunca.

Diretrizes da OMS sobre Terapias GLP-1

Em dezembro de 2025, a OMS divulgou suas diretrizes sobre o uso de medicamentos GLP-1, incluindo liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Estas terapias, que imitam hormônios naturais do corpo para regular apetite e glicose, têm sido recomendadas para adultos – exceto mulheres grávidas – como parte de uma abordagem abrangente e de longo prazo para o tratamento da obesidade.

Por Que a Recomendação é Condicional?

A decisão da OMS de emitir uma recomendação condicional, ao invés de uma forte, se deve a vários fatores. Primeiro, há dados limitados sobre a eficácia e segurança de longo prazo desses medicamentos. Segundo, o custo elevado das terapias e a falta de preparação dos sistemas de saúde globais para implementar estas diretrizes em larga escala são motivos de preocupação.

Benefícios dos Medicamentos GLP-1

Estudos têm demonstrado que os medicamentos GLP-1 não só auxiliam na perda de peso, mas também reduzem o risco de complicações cardíacas e renais e diminuem a mortalidade prematura em indivíduos com diabetes tipo 2. Contudo, a OMS enfatiza que estas terapias devem ser parte de uma estratégia de tratamento mais ampla, que inclui uma dieta saudável, atividade física regular e apoio de profissionais de saúde.

Desafios na Implementação das Diretrizes

Um dos grandes desafios relacionados à implementação das novas diretrizes é garantir o acesso equitativo às terapias. De acordo com projeções da OMS, apenas um pequeno percentual da população elegível terá acesso a estes medicamentos até 2030. Além disso, a organização destaca a importância da produção em larga escala e da criação de políticas de saúde que assegurem preços mais acessíveis.

Equidade e Acesso Global

A preocupação com a equidade é central nas novas diretrizes da OMS. Sem políticas eficazes para aumentar o acesso, existe o risco de exacerbar as desigualdades de saúde, com as terapias ficando quase sempre disponíveis apenas em países de alta renda. Assim, a OMS apela por esforços globais coordenados para expandir o acesso a esses tratamentos de maneira justa e equitativa.

Conclusão

As novas diretrizes da OMS sobre o uso de medicamentos GLP-1 representam um passo significativo na luta contra a obesidade a nível global. Embora não sejam uma solução única e milagrosa, oferecem uma ferramenta importante no arsenal médico, necessitando ser combinada com mudanças de estilo de vida e políticas de saúde pública mais abrangentes. Para o sucesso a longo prazo, a colaboração entre governos, profissionais de saúde e comunidades será essencial para enfrentar as complexidades da obesidade em uma escala global.